A Emater Goiás, em parceria com as Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa Goiás), auxilia agricultores familiares que desejam comercializar sua produção no mercado atacadista. Juntas, as duas instituições emitem o Atestado Ceasa, documento que:
- facilita o encontro entre produtores rurais e comerciantes;
- organiza e regula a comercialização de produtos hortifrutigranjeiros
- contribui para o escoamento da produção;
- aém de garantir o abastecimento de alimentos frescos a preços justos.
Dados da Ceasa Goiás indicam que cerca de 600 produtores estão cadastrados para comercializar no entreposto.
A procura pelo atestado é intensa. Somente em 2025, a Emater realizou 872 visitas técnicas em propriedades rurais nas regionais:
- Rio das Antas;
- Planalto;
- Vale do São Patrício;
- Rio dos Bois;
- Sul;
- Rio Vermelho;
- Serra da Mesa;
- Estrada de Ferro.
Porta de entrada para venda direta e legal
O técnico agrícola e agropecuário da Regional Rio das Antas, Roney Francisco Gama, explica que o Atestado Ceasa é a porta de entrada para o agricultor vender produtos de forma direta e legal nos entrepostos estaduais.
“O documento comprova que o agricultor está em atividade e que comercializa a própria produção”, destaca.
Quem pode solicitar o Atestado Ceasa?
Podem solicitar o serviço:
- agricultores familiares;
- produtores rurais individuais;
- cooperativas;
- associações.
A emissão do atestado é realizada por técnicos da Emater após solicitação do produtor junto à direção da Ceasa.
Procedimentos
O processo começa com uma declaração feita pelo produtor na Ceasa e o pedido de visita à propriedade.
Em seguida, a Ceasa aciona a Emater para que os técnicos extensionistas realizem o levantamento de dados e elaborem o atestado de produção, documento que comprova a atividade agrícola.
Após a conclusão da vistoria técnica, o atestado é encaminhado à gerência de atendimento ao produtor da Ceasa, responsável pela emissão da carteira de comercialização.
O prazo estimado para cadastramento, visita técnica e emissão do documento é de cerca de cinco dias úteis.
A carteira identifica o produtor no ambiente da Ceasa e comprova que ele atende às exigências internas para comercialização.
Para vender no entreposto, o produtor pode optar por dois tipos de taxa:
- O módulo de 4 m² para comercialização de até 50 caixas custa R$ 16 por dia.
- Já a utilização mensal do mesmo espaço tem valor de R$ 229.
Vistoria técnica
Segundo o assistente de Desenvolvimento Rural da Regional Vale do São Patrício, Quintino da Silva Moreira, a vistoria técnica é fundamental para verificar a produção e as condições de cultivo.
“Durante a visita, avaliamos se o produtor realmente possui produção própria, como essa produção é conduzida e quais cuidados são adotados no uso de defensivos agrícolas e insumos”, explica.
Após a checagem das informações, o atestado é emitido e enviado para a gerência de atendimento ao produtor da Ceasa, responsável pela confecção da carteira de comercialização.
Atestado Ceasa – Vantagens para o produtor
O coordenador da Regional Rio dos Bois, Juscimar Carros Barroso, destaca que o Atestado Ceasa traz diversas vantagens para os agricultores.
Além de comprovar que a produção é própria, o documento permite que o produtor comercialize diretamente com compradores, evitando atravessadores e aumentando assim sua margem de lucro.
“O contato presencial constrói relacionamentos mais diretos e duradouros. Aumenta-se a fidelidade do cliente, pois o agricultor familiar passa a compreender melhor as necessidades e preferências do público”, afirma.
Experiência de produtores
Trabalhar quatro vezes por semana na Ceasa é uma rotina que acompanha a produtora Larissa Valeriano dos Santos há dez anos.
Moradora de Goiânia, ela afirma que foi graças ao Atestado Ceasa que conseguiu ampliar e diversificar a produção na propriedade.
No início, Larissa comercializava apenas alface. Com o crescimento das vendas e a fidelização da clientela, investiu no cultivo de outras folhagens na propriedade que tem na divisa com o município de Goianira.
O começo, no entanto, foi desafiador. Sem conseguir aproveitar bem a área do terreno, enfrentou perdas significativas na lavoura, especialmente no período chuvoso.
“Quando iniciamos a plantação de alface, não conseguimos produzir em 30% da lavoura. Em época de chuva, o escoamento de água era muito pouco e não tinha para onde a água ir”. E encharcava a terra e não sabia o que fazer”, relata a produtora.
Segundo ela, a mudança veio com a orientação da assistência técnica da Emater, que mostrou os cuidados básicos com a lavoura e com o uso de insumos e agrotóxicos que deveriam ser adotados.
“Foi um divisor de águas. Hoje aproveito 100% da lavoura para plantar minhas folhagens”, recorda.
Após a melhoria na produção, o passo seguinte foi a obtenção do Atestado Ceasa, garantindo um espaço estruturado para comercialização.

Segundo Larissa, o documento proporciona mais organização e segurança no trabalho dentro do entreposto.
“O atestado me permite ter um ponto comercial limpo e organizado. Não tenho preocupações com o espaço, é chegar e vender”, afirma.
A carteira de comercialização de Larissa vence em junho. A agricultora já providenciou a documentação necessária e entrou em contato com a Emater para agendar a visita técnica e renovar o cadastro.
“A Emater ajuda muito e facilita a vida do agricultor familiar goiano, para acessar os melhores caminhos e comercializar a produção diretamente com o consumidor. Vale a pena ter o atestado”, comemora.
Jucelino Alves Pereira, produtor de Terezópolis de Goiás, também ressalta a importância do Atestado Ceasa para a rotina no entreposto. Segundo ele, o documento contribui para dar mais segurança e organização à comercialização.
“Com o atestado, a gente trabalha com mais tranquilidade, sabendo que está tudo regularizado. Isso facilita muito a venda e o contato direto com os clientes, além de valorizar o nosso produto”, afirma.

Como solicitar o documento
Os produtores interessados em obter o atestado, após realizarem a solicitação junto à Ceasa, devem procurar a unidade da Emater mais próxima e apresentar os seguintes documentos:
- RG e CPF
- Comprovante da terra (escritura, matrícula, contrato de arrendamento ou documento de assentado do Incra)
- Inscrição Estadual
- Atestado de produção, que comprova a viabilidade e o cultivo – Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), obrigatório para agricultores familiares
A validade da documentação varia conforme o ciclo das culturas. Em média, o prazo é de até seis meses.
Cultivos como chuchu podem ter validade de até seis meses, enquanto culturas como pepino podem exigir renovação em cerca de 60 dias.
A recomendação é renovar o documento conforme o início de novas safras ou mudanças nas culturas plantadas. O atestado emitido pela Emater não possui custo para o agricultor familiar.
“A renovação periódica da carteirinha garante que apenas produtores ativos e regulares utilizem o espaço da Ceasa”, explica técnico agrícola e agropecuário, Roney Gama.
“Isso assegura transparência na comercialização, organização do mercado, valorização do produtor rural e cumprimento das normas sanitárias e administrativas”, conclui.
Saiba mais
PAA Goiás avança na análise dos processos e orienta produtores
Preços de derivados lácteos registram valorização no mercado atacadista goiano em março