HGG realiza ação concentrada de cirurgias para pacientes com endometriose

Março Amarelo: HGG realiza ação concentrada de cirurgias para pacientes com endometriose
Procedimentos serão realizados por meio da videolaparoscopia, técnica que utiliza câmeras introduzidas no abdômen da paciente (Foto: Divulgação / Idtech)

Em alusão ao Março Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre a endometriose, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG realizará, nos dias 07, 21 e 28 de março, uma ação concentrada de cirurgias voltadas exclusivamente para pacientes diagnosticadas com a doença.

Serão realizadas nove cirurgias, sendo três procedimentos em cada dia de ação. A iniciativa mobiliza uma equipe multidisciplinar formada por especialistas das áreas de Ginecologia, Cirurgia Geral, Coloproctologia e Urologia.

Todos os procedimentos serão realizados por meio da videolaparoscopia, técnica que utiliza câmeras introduzidas no abdômen do paciente.

O método cirúrgico consiste em pequenas incisões, em vez de grandes cortes, o que resulta em menor trauma para o paciente.

“O método cirúrgico considerado um dos mais modernos do mundo, propicia uma recuperação mais rápida, reduzindo o tempo de internação hospitalar e permitindo que o paciente retorne às suas atividades normais mais rapidamente”, explica o médico subdiretor da Clínica Cirúrgica e chefe do Serviço de Endoscopia Ginecológica do HGG, Eduardo Pontes.

Endometriose – doença silenciosa

A endometriose é uma condição inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio (camada interna do útero) fora da cavidade uterina.

Pode atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve, causando dor intensa, dificuldade para engravidar e impacto profundo na qualidade de vida.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 8 milhões de mulheres convivem com a doença no Brasil. Globalmente, são mais de 190 milhões de casos, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Os números do SUS reforçam a urgência do tema: os atendimentos à endometriose na Atenção Primária de Saúde saltaram de 82.693, em 2022, para 145.744 registros em 2024, um aumento de 76% em apenas dois anos.

No mesmo período, foram registradas mais de 90 mil internações hospitalares pela doença em todo o país.

Apesar da alta prevalência, o diagnóstico costuma ser tardio.

Estudos apontam que, em média, uma paciente leva cinco anos entre o início dos sintomas e a confirmação da doença, um intervalo marcado por consultas frustradas, dores normalizadas e sofrimento evitável.

Nos casos de endometriose profunda — forma mais grave da doença, em que o tecido invade estruturas como intestino e bexiga —, o tratamento cirúrgico minimamente invasivo é a principal indicação.

A complexidade desses procedimentos exige não apenas expertise técnica, mas também a atuação integrada de diferentes especialidades.

O médico reforça que reduzir a fila de espera de pacientes que já esperam há muito tempo por um procedimento que pode transformar suas vidas é um ato de justiça.

“Muitas dessas mulheres convivem com dores incapacitantes que as impedem de trabalhar, de estudar, de exercer plenamente sua vida”.

“A cirurgia, quando bem indicada e executada, muda esse cenário de forma real e duradoura”, ressalta o médico.

Março Amarelo

Adotado no Brasil como mês de conscientização sobre a endometriose, o Março Amarelo tem como principal objetivo combater o silêncio e a normalização da dor.

Cólicas menstruais incapacitantes, dor durante a relação sexual, dificuldade para engravidar e desconforto ao urinar ou evacuar são sintomas que não devem ser ignorados ou tratados como inevitáveis.

O diagnóstico precoce baseado na combinação de histórico clínico, exame físico e exames de imagem como ultrassom com preparo intestinal e ressonância magnética pélvica é o caminho mais eficaz para evitar a progressão da doença e preservar a qualidade de vida das pacientes.

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