Documentário resgata tragédia histórica com o Césio-137 em Goiânia

Documentário resgata tragédia histórica com o Césio-137 em Goiânia
Conteúdo produzido pela Comunicação Setorial da SES reúne relatos, arquivo e reflexões sobre o maior acidente radiológico fora de uma usina nuclear (Foto: Arquivo)

O vídeo documentário sobre o acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia no fim da década de 1980, resgata a memória de um dos episódios mais marcantes da história recente do Brasil.

Considerado o maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear, o caso deixou marcas profundas na população e transformou protocolos de segurança em todo o país.

A proposta do documentário é revisitar esse momento por meio de imagens de arquivo e depoimentos de vítimas e de pessoas que, direta ou indiretamente vivenciaram o medo, as incertezas e os traumas causados pela contaminação.

A produção mostra não apenas os impactos imediatos daquele período, mas também as consequências sociais e emocionais que se estenderam ao longo dos anos.

Documentário Césio-137

O trabalho foi produzido pela equipe da Comunicação Setorial da Secretaria da Saúde de Goiás (SES-GO), sob coordenação da jornalista Yara Galvão e do fotógrafo Iron Braz, com supervisão da chefe setorial Iara Lourenço.

A iniciativa contou ainda com o apoio da TV Brasil Central (TBC), emissora da Agência Brasil Central (ABC), que cedeu imagens de arquivo fundamentais para reconstruir esse capítulo da história goiana.

Mais do que revisitar o passado, o documentário também busca informar as novas gerações e reforçar os aprendizados deixados pela tragédia. Entre eles, estão a implementação de protocolos mais rigorosos para o uso e descarte de equipamentos de radioterapia, além dos avanços tecnológicos voltados à segurança de pacientes e profissionais da saúde.

A produção foi dividida em duas partes. A primeira reúne depoimentos de vítimas e de trabalhadores do Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves (Cara). A segunda parte está prevista ainda para 2026, ano em que o acidente completa 39 anos.

Para a chefe setorial de Comunicação da SES-GO, Iara Lourenço, o papel da comunicação é essencial na preservação da memória histórica.

“Nosso papel, enquanto comunicadores, é informar os fatos como eles aconteceram. Trazer à memória esse episódio que impactou tantas vidas é fundamental para que ele seja conhecido pelas novas gerações e para que possamos aprender continuamente com a história”, afirma.

A jornalista Yara Galvão destaca o impacto emocional durante a produção.

“Durante o processo de realização do documentário, revivi as emoções daquela época. Havia muito medo, porque não se sabia a dimensão dos danos causados pelo Césio na cidade e nas pessoas. Depois, veio também o preconceito. Goiás precisou mobilizar uma campanha para resgatar a autoestima dos goianienses, que trabalharam intensamente para recuperar o valor de tudo o que era produzido aqui”, relata.

Já o fotógrafo Iron Braz ressalta a força das imagens na construção da narrativa.

“O olhar do fotógrafo passa pela emoção de um lugar, de uma pessoa, de uma história e, às vezes, até de um objeto. As imagens do acidente com o Césio-137 são muito impactantes. As dúvidas e angústias das pessoas, que não compreendiam o que estava acontecendo, estão registradas ali. Cada imagem fala por si”, pontua.

História do Césio-137

Em setembro de 1987, em Goiânia, um aparelho de radioterapia abandonado foi violado, liberando o material radioativo Césio-137. Sem conhecimento dos riscos, pessoas tiveram contato direto com a substância, o que resultou em contaminação, mortes e um grande impacto social.

O episódio levou à criação de normas mais rígidas de controle e segurança no uso de materiais radioativos no Brasil. Acesse o link para assistir ao documentário: https://youtu.be/IXtMhf3af9M

Últimas notícias