Agentes de saúde recebem formação em doença de Chagas

Agentes de saúde de São Luís de Montes Belos recebem formação em doença de Chagas
Formação em doença de Chagas aborda vigilância ambiental com foco em cão como animal sentinela (Foto: Paulo Jefferson/IntegraChagas Brasil)

O processo formativo do Projeto IntegraChagas Brasil capacitou mais de 20 agentes de combate a endemias (ACEs) do município de São Luís de Montes Belos em:

  • coleta de sangue em cães
  • e técnicas diagnósticas da infecção por Trypanosoma cruzi, protozoário responsável pela doença de Chagas.
  • A formação ainda discutiu o planejamento e a definição das áreas por meio de técnicas de geoprocessamento.

São Luís de Montes Belos é um município com registro de uma população de cerca de 5 mil cães.

Com aspecto teórico-prático, a formação possibilitou aos profissionais ampliar as técnicas de coleta e de manejo de amostras de sangue de cães, animais com papel importante de sentinela, ou seja, alertando para a presença de T. cruzi em determinada região.

A pesquisadora Emérita da Faperj, pesquisadora 1A do CNPq e pesquisadora do Laboratório de Biologia de Tripanossomatídeos (Labtrip) do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz (Labtrip-IOC/Fiocruz), doutora Ana Maria Jansen, abordou em sua fala para os ACEs os diversos fatores envolvidos no ciclo de transmissão por T. cruzi e a necessidade de os profissionais possuírem um olhar ampliado para o conjunto de variáveis envolvidas na transmissão do protozoário.

“A gente precisa ampliar o olhar. Precisa ter olhar de detetive para determinar eventuais fatores que podem ajudar a identificar a presença do triatomíneo”, destacou.

Detecção precoce do transmissor

A pesquisadora do Labtrip-IOC/Fiocruz, Samanta Xavier, ressalta que a importância de se realizar a vigilância canina e ambiental está atrelada à possibilidade de realizar a detecção precoce da presença de T. cruzi, protozoário transmissor da doença de Chagas.

“O cão entra como um papel importante por ser o animal mais perto do homem, que está naturalmente mais exposto a essa infecção seja porque se aproxima de ambientes silvestres, por ficar fora de casa e ser um animal que tem a característica por apresentar baixo risco de transmissão porque é um animal que não tem altas parasitemias”, afirma.

O trabalho com o cão como animal sentinela tem uma série de vantagens por o animal ser comum em todas as áreas, por já ser trabalhado pelos agentes de combate a endemias em campanhas de vacinação antirrábica e por programas de combate a leishmaniose. O cão representa uma sentinela confiável para a ocorrência de um ciclo de transmissão estabelecido de T. cruzi entre mamíferos silvestres no entorno e, consequentemente, onde existe risco de infecção humana.

O papel do animal funciona como sinalizador da presença de T. cruzi em determinada região pesquisada, porém o cão não atua como fonte de transmissão do parasito, nem para os barbeiros nem para os tutores, explicam as pesquisadoras.

Sinal de alerta

O sistema cão sentinela considera como sinal de alerta a soroprevalência desses animais, igual ou acima de 30% como indicador de uma área com alta transmissão silvestre de T. cruzi.

A pesquisa desenvolvida pelo Labtrip-IOC/Fiocruz indica que se em 30% dos animais de uma população de cães que forem testados em determinada região for detectada a presença de T. cruzi, isso sinaliza a necessidade de se realizar o monitoramento da fauna de mamíferos silvestres da região, com o objetivo de detectar a presença de potenciais focos de transmissão para humanos.

Programação

A etapa teórica do processo formativo começou com uma apresentação sobre um olhar para os atores principais envolvidos com a doença de Chagas (Trypanosoma cruzi, reservatórios, triatomíneos e cães domésticos), com as pesquisadoras do Labtrip-IOC/Fiocruz Ana Maria Jansen e Samanta Xavier. Elas discutiram também a vigilância canina e a ambiental.

Tratou-se ainda da coleta de sangue em cães e técnicas de diagnóstico da infecção por Trypanosoma cruzi, com os também pesquisadores do Labtrip do IOC/Fiocruz Bruno Silva e Fernanda Alves, além da construção de planejamento e definição de áreas por meio de técnicas de geoprocessamento, com Samanta Xavier e Felipe Oliveira.

No período vespertino do primeiro dia e nos demais dias da formação, os agentes de combate a endemias foram a campo. Eles passaram por treinamento de abordagem com as famílias tutoras de cães e sobre a coleta de sangue nos animais. Após essa etapa, retornaram ao laboratório para a fase de análise das amostras coletadas e encerramento das atividades.

IntegraChagas Brasil

O IntegraChagas Brasil, é um projeto do Ministério da Saúde, financiado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), que tem o objetivo de ampliar o acesso da população ao diagnóstico e ao tratamento da Doença de Chagas no âmbito dos serviços de atenção primária e integração de ações com os serviços de vigilância em saúde.

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