Em alusão ao movimento Faça Bonito e Maio Amarelo – campanha nacional de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes — a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) realiza ações educativas e mobilizações sociais durante o mês de maio, reforçando a importância da prevenção, identificação e denúncia da violência sexual infantojuvenil.
Nesta segunda-feira (18/05), data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, será realizada uma ação na Praça da Feira do Jardim Curitiba II, na região Noroeste de Goiânia, das 8 às 11 horas.
Esta campanha é desenvolvida por meio da Coordenação de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva-GO) da SES-GO e é promovida em parceria com o Fórum Goiano de Enfrentamento à Violência Sexual e a Rede de Proteção e Atenção às Pessoas em Situação de Violência de Goiânia.
Combate à violência sexual
A proposta é mobilizar estudantes das redes estadual e municipal de ensino, além de crianças, adolescentes e famílias da região, por meio de apresentações culturais, atividades educativas e distribuição de materiais informativos da campanha “Faça Bonito – 18 de Maio”.
No dia (27/05), será realizado o Seminário Campanha Faça Bonito – 2026, no Auditório do Ministério Público, das 8 às 17 horas.
O evento reunirá profissionais das áreas da saúde, educação, assistência social, sistema de justiça, segurança pública, organizações não governamentais e demais instituições que compõem a rede intersetorial de proteção às pessoas em situação de violência.
Ação também em parceria com o Fórum Goiano de Enfrentamento à Violência Sexual.
No dia 30/05, das 8 às 12 horas, no Parque Flamboyant, será realizada uma ação conjunta das coordenações que compõem a Gerência de Vigilância Epidemiológica de Doenças e Agravos Não Transmissívies e Promoção da saúde quando também serão realizadas atividades alusivas à campanha Faça Bonito.
Serviços ofertados
Durante o evento, serão ofertados gratuitamente:
- serviços de aferição de pressão arterial,
- teste de glicemia,
- auriculoterapia e dispensação do complexo homeopático da dengue,
- além de atividades educativas e orientação sobre a prevenção de violências sexual contra crianças e adolescente.
Segundo a coordenadora de Vigilância de Violências e Acidentes da SES-GO, Maria de Fátima Rodrigues, a iniciativa busca aproximar as famílias do tema de forma acolhedora e educativa.
“A proposta é informar crianças, adolescentes e responsáveis sobre os riscos da violência sexual, fortalecendo a prevenção e orientando sobre medidas de proteção e denúncia”, destaca.
Cenário da violência sexual em Goiás
Os dados epidemiológicos do Sinan/NET Goiás referentes ao período de 2015 a 2025 revelam um cenário preocupante da violência sexual contra crianças e adolescentes no estado.
A violência sexual representa 25,6% de todas as violências notificadas contra esse público, totalizando 16.591 registros no período analisado. As meninas são as principais vítimas, correspondendo a 85,4% dos casos notificados.
Os dados também apontam crescimento expressivo das notificações ao longo da última década, com aumento de 251,6% de 2015 a 2025.
Entre as vítimas do sexo masculino, o crescimento proporcional foi ainda maior, alcançando 294,4%. Os adolescentes representam 55,5% das notificações; entretanto, chama atenção o crescimento de 298,3% das ocorrências envolvendo crianças.
Predominância de vítimas negras
Outro dado relevante é a predominância de vítimas negras, que representam 72,8% dos registros, evidenciando o impacto das desigualdades sociais e raciais na vulnerabilidade à violência sexual.
O estupro permanece como a principal tipificação registrada, correspondendo a 69,4% dos casos notificados.
Crianças menores apresentam maior vulnerabilidade devido à imaturidade física e psicológica, o que dificulta tanto a compreensão da violência quanto a capacidade de defesa e denúncia.
Crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica podem estar mais suscetíveis à exploração sexual, especialmente em contextos de fragilidade social e ausência de proteção.
Sinais de alerta e prevenção
Mudanças repentinas de comportamento podem ser importantes sinais de alerta para situações de violência sexual. Entre os principais indicativos estão:
- medo excessivo ou dificuldade para dormir sozinho;
- vergonha de trocar de roupa na frente de responsáveis;
- queda repentina no rendimento escolar;
- alterações no sono e na alimentação;
- agressividade;
- comportamento sexual incompatível com a faixa etária;
- brincadeiras ou falas com conteúdo sexual inadequado.
A SES-GO orienta que pais, responsáveis e toda a sociedade estejam atentos a esses sinais e adotem medidas preventivas, como:
- supervisionar o uso da internet;
- orientar crianças e adolescentes a não aceitarem convites, presentes ou favores de desconhecidos;
- evitar que crianças permaneçam desacompanhadas em locais de grande circulação de pessoas;
- fortalecer o diálogo familiar e a rede de apoio.
A proteção de crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva e depende do comprometimento de toda a sociedade.