Goiás e Japão consolidam parceria para exploração de minerais críticos

Reunião de Daniel Vilela e comitiva do Japão sobre minerais críticos
Daniel Vilela recebe delegação do Japão em Goiânia e firma acordo para exploração de minerais críticos (Foto: Jota Eurípedes)

O vice-governador Daniel Vilela recebeu, nesta segunda-feira (09/03), uma delegação de autoridades japonesas para a assinatura de um Memorando de Entendimento entre a Organização Japonesa para Metais e Segurança Energética (JOGMEC) e a Autoridade de Minerais Críticos do Estado de Goiás (Amic).

A agenda reforça o movimento do Governo de Goiás para transformar o potencial mineral do estado em desenvolvimento industrial e novas oportunidades econômicas. O estado concentra cerca de 25% da disponibilidade mundial de terras raras e já reúne projetos estratégicos em andamento no setor.

Ao conduzir a reunião, realizada no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia, Daniel destacou que a parceria abre uma nova etapa para o aproveitamento de minerais críticos em Goiás, com foco em pesquisa, transferência de tecnologia e agregação de valor.

“Goiás é hoje referência pelo seu subsolo, pela quantidade e pela qualidade desse minério. Agora damos um segundo passo, que pode trazer grande impacto econômico e social para o estado, com transferência de tecnologia e agregação de valor aqui dentro, que é o nosso objetivo”, afirmou o vice-governador.

Daniel ressaltou ainda que o acordo com o governo japonês fortalece a estratégia de não limitar Goiás à extração do minério bruto. Segundo ele, a meta do Estado é avançar no processamento local, ampliar a presença goiana na cadeia produtiva e transformar riqueza mineral em emprego, renda e fortalecimento da economia regional.

“A partir de agora, teremos formalmente essa parceria para fazer um uso cada vez mais intenso desse potencial e movimentar a economia do Estado com um minério de grande importância para o mercado internacional”, disse.

Goiás e Japão avançam em acordo para exploração e processamento de terras raras

Daniel Vilela e comitiva do Japão fazem acordo sobre minerais críticos
Acordo com o governo japonês fortalece a estratégia de não limitar Goiás à extração do minério bruto (Foto: Jota Eurípedes)

Política mineral para minerais críticos

Pela Amic, o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, afirmou que o Estado trabalha para consolidar uma política mineral de médio e longo prazo, capaz de levar Goiás a uma posição de destaque também na industrialização.

Ele lembrou que o estado reúne minerais críticos como nióbio, cobre, alumínio e outros ativos estratégicos, com atenção especial às terras raras pesadas, hoje muito demandadas pela indústria tecnológica e automotiva.

“O que Goiás quer é garantir que toda a cadeia produtiva seja realizada aqui. Esse acordo permite avançar mais rápido, com intercâmbio de tecnologia e apoio à pesquisa”, afirmou.

Segundo o representante diplomático do país asiático no Brasil, Yasushi Noguchi, a colaboração com Goiás ganhou impulso após a missão comercial do governador Ronaldo Caiado ao país, no ano passado. Ainda segundo ele, a cooperação atende a uma agenda estratégica do governo japonês ligada à segurança econômica e à resiliência das cadeias produtivas.

“Queremos compartilhar nossa experiência no desenvolvimento de minerais importantes, como as terras raras, e queremos compartilhar nossa tecnologia com o Estado de Goiás”.

Caiado atrai interesse do Japão e abre portas para investimentos em terras raras

Na mesma linha, o conselheiro sênior da JOGMEC, Masaru Sato, reafirmou o compromisso da instituição com o desenvolvimento da exploração de recursos e com a construção de uma cadeia de abastecimento benéfica para Brasil e Japão.

“Continuamos comprometidos em contribuir para o desenvolvimento da exploração de recursos e para a construção de uma cadeia de abastecimento que seja benéfica tanto para o Japão quanto para o Brasil”, disse.

Terras raras

O avanço ocorre em um momento em que Goiás já reúne bases concretas para ampliar sua presença nesse mercado. O estado conta com governança específica para minerais estratégicos, operações em curso em Minaçu, Nova Roma e Iporá, além de projetos com investimentos bilionários.

As terras raras são insumos usados em turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias, equipamentos eletrônicos, data centers e sistemas de defesa, o que coloca Goiás em posição central em uma agenda global ligada à transição energética e à indústria de alta tecnologia.

Em Nova Roma, a Aclara Resources, multinacional do ramo da mineração, trabalha para desenvolver a atividade na região, com expectativa de investir R$ 2,8 bilhões e gerar 5,7 mil empregos diretos e indiretos. Também presente na reunião, o vice-presidente da empresa, José Palma, agradeceu a cooperação com o Governo de Goiás. “O estado nos acolheu de braços abertos e estamos trabalhando em estreita colaboração com as autoridades estaduais e municipais para garantir que nosso projeto seja um catalisador positivo e um parceiro estratégico no desenvolvimento”.