Goiás abre 1ª consulta pública do Brasil para avaliar risco de extinção de moscas e pernilongos

Mosca e pernilongo em extinção
Megalopelma lopesi, mosquito fungívoro da família Mycetophilidae, descrita recentemente para Goiás, encontrada somente no Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco (Foto: Pesquisa Afiune & Oliveira, 2024)

Pela primeira vez no Brasil, o risco de extinção de moscas e pernilongos (Dípteros) será avaliado. De 2 a 31 de março, o projeto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) que avalia o risco de extinção de espécies da fauna de Goiás vai realizar uma consulta pública para coletar informações sobre a incidência deste grupo no território goiano.

Goiás avalia aves em risco de extinção com consulta pública

Goiás abre consulta pública sobre espécies ameaçadas de extinção

A pesquisadora da Universidade federal de Goiás (UFG) Giovana P. S. Afiune explica que foram selecionados os grupos de moscas e mosquitos que realizam importantes serviços para o ecossistema e para sociedade mas que ainda passam despercebidos.

Entre essas espécies, algumas atuam como mosquitos predadores naturais de outros mosquitos, incluindo o Aedes aegypti.

Outras espécies de mosquitos de fungos que são encontrados somente em florestas preservadas e que, portanto, são bioindicadores de qualidade de habitat, além de decompositores de matéria orgânica, que garantem a ciclagem de nutrientes para habitats naturais; e moscas e mosquitos que são polinizadores.

“Boa parte das 129 espécies avaliadas são encontradas somente no Estado de Goiás, algumas em somente uma unidade de conservação, demonstrando a importância dessas unidades e de se estudar o grupo dos Diptera”, afirma a pesquisadora que integra a equipe coordenada pela Profa. Dra Sarah S. Oliveira (UFG).

Extinção de moscas e pernilongos

Dada a grande diversidade de espécies, nessa fase serão avaliados alguns representantes das principais famílias:

  • Asilidae
  • Bibionidae
  • Bombyliidae
  • Calliphoridae
  • Chironomidae
  • Ditomyiidae
  • Dolichopodidae
  • Empididae
  • Hybotidae
  • Keroplatidae
  • Limoniidae
  • Mycetophilidae
  • Mythicomyiidae
  • Nemestrinidae
  • Nycteribiidae
  • Oestridae
  • Periscelididae
  • Richardiidae
  • Stratiomyidae
  • Syrphidae
  • Tabanidae
  • Tipulidae

Como participar

As contribuições devem ser feitas pela comunidade científica por meio do site BioData. Na aba em branco, escreva o nome da espécie que deseja avaliar. Depois, clique na espécie de interesse no botão “consultar” e preencha as informações na aba “contribuições”.

Assim que recebidas, as contribuições serão verificadas por especialistas para posterior inclusão em uma ficha de espécies. O objetivo é direcionar esforços para a conservação da biodiversidade a nível local.

Depois da classificação das espécies de acordo com o grau de ameaça, as informações adicionais sobre história natural dos animais e registros fotográficos serão acrescentadas nas fichas técnicas de cada bicho pelos especialistas coordenadores dos grupos.

O processo de avaliação inclui a realização de oficinas com especialistas dos grupos taxonômicos alvo para aplicação de um método científico reconhecido internacionalmente, desenvolvido pela International Union for Conservation of Nature (IUCN).

Antes dos dípteros, os técnicos da Semad recepcionaram dados sobre aracnídeos, libélulas, anfíbios, peixes, abelhas, mamíferos e répteis, em parceria com pesquisadores e cientistas.

Espécies ameaçadas de extinção

Essa é a primeira vez que Goiás vai ter sua própria lista de espécies ameaçadas de extinção. Atualmente, o que se tem são dados a nível nacional, produzidos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Neste cenário, é possível que alguma espécie esteja ameaçada em Goiás, mas essa realidade não é reconhecida nacionalmente.

A ideia é que com essas informações coletadas, a Semad tenha condições de estabelecer estratégias adequadas para cada tipo de espécie em risco.

A expectativa é avaliar todas as 1,7 mil espécies de vertebrados que ocorrem no estado, incluídas nos grupos de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes; bem como as 900 espécies de invertebrados, dentro dos grupos: libélulas, aracnídeos, moscas e abelhas.

Para reunir o máximo de informações sobre as espécies que serão avaliadas, todas as espécies de vertebrados e invertebrados vão passar por uma consulta ampla. Por isso, toda comunidade científica está sendo convocada a participar desse processo.

A avaliação de risco de extinção de espécies depende da aplicação da metodologia científica da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que é reconhecida e utilizada pelo ICMBio para as avaliações nacionais.

Por isso, foi desenvolvido o BioData, um sistema estadual que serve para as avaliações, armazenamento e disponibilização dos dados da biodiversidade goiana.

Por enquanto, o BioData é de acesso restrito aos gestores públicos e especialistas que participam do processo de avaliação de risco de extinção. Mas ao final do processo de avaliação, o site público estará disponível para os cidadãos.