Com um investimento de R$ 607 mil feito pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e pela Financiadora de Estudos e projetos (Finep), por meio do Programa Tecnova III, de subvenção econômica à inovação, o projeto FishMap: Plataforma e Aplicativo para Reserva Online de Acomodações e Serviços de Pesca e Turismo Ecológico promete facilitar a vida de quem gosta de pescaria e também de quem vive do setor.
A iniciativa aposta em tecnologia e dados para conectar pescadores, anfitriões e prestadores de serviço em um só ambiente digital. E a ideia já vem rendendo bons “peixes”.
A história da plataforma FishMap começa como muitas boas histórias de pescador: à beira d’água. Em 2021, durante uma viagem de pesca no Tocantins, dois amigos goianos (hoje cofundadores da empresa), Marcus Vinícius Batista de Araújo (economista e diretor de marketing e vendas) e Diego Borges Ferreira de Jesus (engenheiro mecânico e diretor de desenvolvimento do produto), perceberam um problema comum: a dificuldade de encontrar bons pontos de pesca e hospedagens próximas.
“Dependíamos sempre de indicações de conhecidos e acabávamos indo aos mesmos lugares”, conta Diego Borges.
A ideia inicial era criar o AirBnb da pesca. Mas a entrada, em 2022, do terceiro sócio, Cristiano Borges Ferreira de Jesus (engenheiro/arquiteto de software, diretor executivo), foi peça fundamental para ampliar a ideia e colaborar para o desenvolvimento da plataforma digital.
App FishMap
Inicialmente desenvolvida para conectar pescadores a pontos de pesca e acomodações, a plataforma está evoluindo para integrar uma gama mais ampla de serviços e funcionalidades, aprimorando, ainda mais, a experiência do usuário.
Hoje a equipe conta com mais dois colaboradores, Vitor Ricardo Adriano, que participa do desenvolvimento de software, e Ana Luiza Teixeira dos Santos, no apoio administrativo e de marketing. A plataforma é voltada para pescadores esportivos de todos os níveis, mas também abre espaço para guias, donos de pousadas e empreendedores do turismo ecológico.
Além de facilitar a vida de quem pesca, o projeto tem um papel importante no desenvolvimento sustentável em Goiás.
Do anzol ao algoritmo
Segundo Diego Borges, o aplicativo traz inovação ao transformar registros de pescaria em dados estruturados capazes de gerar inteligência prática para o usuário, permitindo registrar as capturas dos peixes e cruzar essas informações com dados ambientais, como clima, fase da lua e pressão atmosférica.
“Essa abordagem baseada em dados ainda é pouco explorada no segmento da pesca esportiva no Brasil”, explica o empreendedor.
Na prática, é como ter um diário de pesca turbinado com inteligência. Assim, o usuário obtém os dados organizados e transformados em informações úteis, podendo descobrir padrões como qual horário rende mais, qual isca funciona melhor ou até qual condição climática aumenta as chances de sucesso da pescaria.
Ou seja, menos “história de pescador” e mais ciência na ponta da vara.
“Embora existam aplicativos e sites sobre pesca, a FishMap aposta na integração completa, envolvendo o mapeamento de pontos de pesca, reserva de hospedagens e serviços, estatísticas personalizadas, rede social para pescadores, marketplace e guia de serviços, tudo isso em um só lugar”, destaca Diego.
O empurrão do fomento
“Com a ajuda da Fapeg e do programa Tecnova III, a FishMap destrava todo seu potencial e constrói o aplicativo” (https://fishmap-brasil-app.webflow.io/), destaca Diego Borges.
O projeto foi contemplado com R$ 607.866,64 para um ciclo de desenvolvimento de 24 meses. O recurso permitiu acelerar melhorias tecnológicas, ampliar funcionalidades e estruturar melhor a plataforma. Segundo os criadores, o apoio foi essencial para tirar o projeto de vez do papel e reduzir os riscos típicos de inovação, com os recursos de subvenção econômica.
E é esta a proposta do Tecnova III. Um edital lançado pela Fapeg e Finep, que por meio da subvenção econômica à inovação, tem como objetivo apoiar o desenvolvimento de produtos (bens ou serviços) e/ou processos inovadores – novos ou significativamente aprimorados, pelo menos para o mercado nacional – de empresas brasileiras para o desenvolvimento dos setores econômicos considerados estratégicos nas políticas públicas federais e aderentes à política pública de inovação do estado de Goiás.
Além de recursos para o desenvolvimento de produtos ou processos inovadores, o edital disponibiliza recursos adicionais para aceleração e internacionalização das empresas selecionadas.
O objetivo principal do programa é promover um significativo aumento das atividades de inovação e o incremento da competitividade das empresas e da economia do país. O edital se propõe a apoiar projetos de inovação que envolvam significativo risco tecnológico associado a oportunidades de mercado.
Nesta chamada pública, foi investido um valor global de R$ 16.127.334,00, sendo R$ 12.095.500,00 do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT/Finep e R$ 4.031.834,00 da Fapeg, que contemplou diversas propostas inovadoras.
Diego e seu sócio Marcus Vinícius já conheciam a Fapeg por seu papel no financiamento de pesquisas e inovação, mas acreditavam que sua empresa ainda não estava pronta para acessar editais, dependendo até então de recursos próprios.
Essa percepção mudou após um convite para o Finep Day, no Hub Curta Mais, onde descobriram oportunidades de subvenção econômica voltadas a startups inovadoras e perceberam que seu projeto se encaixava nesse contexto. Motivados, anteciparam-se ao lançamento do Tecnova III e começaram a elaborar a proposta com base no edital anterior, ganhando confiança a cada etapa de classificação até, finalmente, serem contemplados.
Aplicativo disponível
O aplicativo já está disponível e segue em constante evolução. Atualmente, o foco está em melhorar a experiência do usuário e fortalecer a base tecnológica. A ideia é deixar o pescador sempre curioso para saber “qual será o próximo recurso a entrar na rede”.
Diego aponta que, entre as novidades previstas estão torneios digitais de pesca, chat entre usuários, atlas de peixes, mapas de rios e bacias hidrográficas, e estatísticas ainda mais detalhadas. A meta é consolidar a FishMap como referência nacional no setor, conta o empreendedor.
Diego ressalta que, além de facilitar viagens ou registrar capturas de peixes, a FishMap busca impactar toda a cadeia da pesca esportiva com geração de renda para comunidades ribeirinhas, incentivo ao turismo sustentável, promoção da preservação ambiental e integração de serviços em um único ecossistema.
Os principais clientes da FishMap estão localizados no Estado de Goiás, mas a plataforma, segundo o empreendedor, tem potencial para expandir suas operações para outras regiões do Brasil e para operar também em países vizinhos que compartilham das mesmas bacias hidrográficas.