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Com apoio da Secult, Laboris da Emac-UFG lança primeiras músicas
Fomento viabilizou realização de atividades formativas, visualizações em vídeos de atividades vinculadas ao projeto e promoção de shows gratuitos para comunidade, no CCUFG (Fotos: Roberta Ribeiro)
O Laboris – Laboratório de Música Popular “Bororó Felipe” da Escola de Música e Arte Cênicas da Universidade Federal de Goiás (Emac-UFG) foi contemplado no edital de manutenção de Espaços Culturais da Lei Aldir Blanc, por meio da Secult Goiás.
O fomento viabilizou a realização de seis atividades formativas com mais de 300 participantes. Além de 50 mil visualizações nos vídeos das atividades vinculadas ao projeto e promoção de quatro shows gratuitos para a comunidade, realizados no CCUFG – Centro Cultural UFG.
Segundo o idealizador do projeto, o professor da Emac, João Casimiro, o avanço mais importante foi a efetiva reestruturação física do Laboris.
O professor explica que antes o Laboris era um espaço que conseguia acolher grupos e projetos para ensaios, aulas e atividades formativas.
“Mas agora, com a compra dos equipamentos de áudio viabilizada pelo projeto, estamos prontos para também gravar, profissionalmente, tanto os trabalhos da universidade, quanto em parceria com a comunidade externa à UFG”, afirma Casimiro.
Como contrapartida, o Laboris publicou um edital para a seleção de músicas inéditas para serem produzidas no laboratório com a participação de alunos do curso de Produção Musical da Emac/UFG.
Oficialmente, as primeiras músicas com o selo Laboris no mercado fonográfico mundial são:
Avenida Rio – do Prehistoric Music Department;
Frevo Delas – São Elas;
Ciranda do Apocalipse – Delírio;
Batalhão de Carlos Magno – da cantora Débora di Sá.
“Ficamos felizes e impressionados com as mais de 80 músicas inscritas neste edital. Esse número mostra que há um gargalo e uma dificuldade de acesso a esse tipo de recurso pelos artistas. Além disso, nos faz pensar que estamos no caminho certo em equipar um espaço dentro da universidade pública, que apoie a produção musical goiana dessa forma”, contextualiza João Casimiro.
O professor da Emac-UFG, adianta com orgulho que os quatro singles lançados são bem diversos musicalmente.
“Abrange o rock, ciranda, cavalhadas, frevo, música instrumental e cantada. No mais, o resultado final das gravações diz por si, convido todos a ouvirem pelo link da bio do @laborisufg”.
“É um passo importante para área de Música Popular dentro da universidade, que também dialoga com fazeres da comunidade goiana e apresenta ambos ao mundo” diz o professor João Casimiro (Foto: Roberta Ribeiro)
Conheça as músicas selecionadas e os autores
O Prehistoric Music Department se formou a partir dos contatos proporcionados pela faculdade de Música da UFG, na qual estudam os três membros da banda.
Nicolas Deretti tem formação técnica pelo IFG e atua como guitarrista; Isaac Lobo atua como baterista, participando de grupos de música instrumental e Arthur Ribeiro é formado em contrabaixo elétrico pelo Gustav Ritter.
Os três integrantes começaram a se reunir para tocar temas instrumentais de jazz e música brasileira e, então, passaram a compor, de onde surgiu a banda em 2024. A música Avenida Rio foi composta pelos três integrantes, nos encontros regulares de criação.
“Essa música expressa quando um fluxo de água perde o controle e transborda. É a analogia a um alagamento, que transforma uma avenida num rio temporário”.
“Vivemos em uma cidade segregadora, em ruínas, moldada pela desigualdade social. Esse cenário nos faz imaginar uma Goiânia subaquática”, explica Nicolas Deretti.
O São Elas é formado por quatro integrantes mulheres. São elas; Ísis Krishna, primeira mulher licenciada em Violão Popular pela UFG; Brenda Silva é cavaquinista graduanda, na UF; Letícia Romando é pandeirista graduanda, na UFG e Kesyde Sheilla é clarinetista e compositora, formada em Música também pela UFG.
Show gratuito do São Elas para comunidade, realizado no CCUFG – Centro Cultural UFG (Fotos: Roberta Ribeiro)
Para a gravação da música no Laboris, o grupo contou com a participação da baixista, Rayssa Almeida e da trompetista, Lourrainy Cabral.
O grupo atua há três anos no cenário musical goiano defendendo o protagonismo feminino na música e a música instrumental brasileira, principalmente, na linguagem do choro.
A música Frevo Delas foi composta por Kesyde e Ísis. De acordo com a clarinetista, é importante registrar novas composições.
“O ‘Frevo Delas’ é uma celebração da música brasileira e da feminilidade”, completa Kesyde.
Delírio é o nome artístico de Fernanda Maria, cantora, compositora e percussionista goianiense de 28 anos, graduanda em Canto Popular, na UFG. Desde 2023, a artista tem se dedicado ao projeto autoral, no qual apresenta canções que tratam de amor, consciência ambiental, identidade e liberdade.
A banda é composta pelo multi-instrumentista Lucas Barbosa; a cantora e percussionista, Conceição de Marianna; a sanfoneira, Dani Frisson; o rabequeiro, Vytor Rios e o baixista Bororó Felipe. A gravação no Laboris contou com a participação da percussionista, Letícia Romano.
Segundo a compositora, Ciranda do Apocalipse surge a partir de um sentimento de raiva e desespero, que se torna recorrente a partir de notícias sobre uma escalada na degradação ambiental.
“Esse é meu primeiro single gravado. Projetos como esse de fomento à gravação elevam o potencial dos artistas da cena, servindo como incentivo na sua profissionalização e entregando um produto que além de registrar a sua obra, é divulgado lado a lado com outros artistas”, complementa Delírio.
Débora Di Sá é cantora, compositora, atriz e artista circense. Desenvolve espetáculos musicais autorais, nos quais cria histórias a partir de suas canções, unindo música, teatro e linguagens circenses.
É formada em Canto pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e lançou os álbuns:
O Universo do Sr. Blan Chu (2000);
Pequeno Projeto de Poema Franco (2013);
O Circo dos Amores Impossíveis (2015;
Maria Grampinho (2016).
A canção O Batalhão de Carlos Magno composta por Débora Di Sá foi inspirada nas Cavalhadas de Pirenópolis, lembrando o galope dos cavalos no campo.
A direção musical é de Nonato Mendes, que deu a canção um arranjo mais “fusion”.
“O Batalhão de Carlos Magno é, para mim, um tributo à cultura popular brasileira e à força da arte na preservação da memória e das tradições”, complementa.
A cantora e compositora estava há quase 10 anos sem lançar um trabalho novo, nesse sentido afirma que o Laboris foi extremamente relevante.
“Não apenas para a minha trajetória artística, mas também para o fortalecimento e a valorização da música produzida em Goiânia, ampliando a visibilidade da criação autoral local e garantindo que essas obras possam existir, circular e alcançar novos públicos”, finaliza.