O Hospital Estadual de Formosa (HEF) alerta para o risco de acidentes envolvendo abelhas, especialmente em períodos de temperaturas elevadas associadas à maior incidência de chuvas. Essas condições favorecem a intensificação da atividade dos enxames e a aproximação dos insetos das áreas urbanas.
A unidade, administrada pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed), reforça a importância da prevenção, da atenção aos fatores de risco e da adoção de medidas imediatas e adequadas diante das ocorrências, considerando o potencial de gravidade e a necessidade de resposta rápida e eficaz.
Nos últimos três meses, foram registrados oito atendimentos relacionados a incidentes com abelhas, o que reforça o alerta. As picadas de abelhas podem provocar desde reações locais leves, caracterizadas por dor intensa, vermelhidão, calor e inchaço na região afetada, até quadros graves, como reações alérgicas sistêmicas (anafilaxia), que podem evoluir rapidamente para insuficiência respiratória e choque.
Em situações de ataques por enxames, o risco é significativamente maior devido à inoculação de grande quantidade de veneno, podendo causar complicações como rabdomiólise, insuficiência renal aguda, alterações cardíacas e, em casos extremos, levar a morte.
Sinais de alerta
Indivíduos com histórico de alergias, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas devem manter atenção redobrada, pois apresentam maior risco de evolução para quadros graves. Entre os principais sinais de alerta estão falta de ar, chiado no peito, inchaço na face, lábios e garganta, urticária generalizada, náuseas, vômitos, queda da pressão arterial, tontura e perda de consciência.
Nessas situações, o atendimento médico imediato é imprescindível para evitar desfechos graves e garantir assistência adequada em tempo oportuno. Para a enfermeira coordenadora do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia (NHE), Karolina Reis, a identificação precoce dos sintomas é fundamental para salvar vidas.
“É essencial que a população esteja atenta aos sinais de gravidade e não subestime uma picada de abelha, principalmente em pessoas com histórico alérgico. Ao perceber qualquer manifestação mais intensa, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde. A agilidade no atendimento faz toda a diferença na evolução do paciente e na prevenção de complicações”, destaca Karolina.
Para o médico coordenador do pronto-socorro do HEF, Wanderson Sant’Ana, a conscientização da população também é determinante.
“As picadas de abelhas, embora muitas vezes pareçam simples, podem evoluir rapidamente para quadros graves, especialmente em pessoas alérgicas ou em situações de múltiplas ferroadas. Por isso, é fundamental saber reconhecer os sinais de alerta e buscar atendimento diante de qualquer sintoma mais intenso. A orientação adequada e a rapidez na assistência são fatores decisivos para evitar complicações e salvar vidas”, afirma.
O que fazer
Em ocorrências isoladas, recomenda-se lavar imediatamente o local com água e sabão, aplicar compressas frias para reduzir a dor e o inchaço e, caso o ferrão esteja presente, removê-lo cuidadosamente, preferencialmente raspando a pele com um objeto rígido, evitando apertar a região para não disseminar mais veneno. Também é importante manter a área afetada limpa e observar a evolução dos sintomas nas horas seguintes.
Atenção deve ser redobrada aos sinais de gravidade, como dificuldade para respirar, inchaço em regiões como rosto, lábios e garganta, náuseas, vômitos, queda de pressão, tontura ou sensação de desmaio, situações que pedem pronto-atendimento.
Em casos de ataque por enxame, a orientação é afastar-se rapidamente do local, proteger principalmente a cabeça e o pescoço, buscar abrigo em ambiente fechado e evitar movimentos bruscos ou tentativas de espantar as abelhas, pois isso pode aumentar a agressividade dos insetos e o risco de múltiplas picadas.