Representantes das polícias Militar e Civil de diferentes regiões de Goiás discutiram, nesta quinta-feira (20/08), como ampliar o uso da inteligência artificial na prevenção da violência contra a mulher. O debate busca identificar ferramentas que possam apoiar a atuação policial desde o recebimento da denúncia até a fiscalização de medidas protetivas.
O encontro foi realizado no Hub Goiás e reuniu representantes das forças de segurança para mapear demandas e avaliar como a tecnologia pode contribuir para prevenir casos de violência doméstica.
A reunião foi promovida pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), com apoio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da equipe técnica da startup Pax.
Como a IA pode ajudar no combate à violência contra a mulher?
O uso da tecnologia permite integrar e cruzar dados que podem auxiliar na identificação de autores e na investigação de crimes. A proposta em discussão também prevê o uso da ferramenta para reforçar a prevenção e o acompanhamento de medidas protetivas.
A inteligência artificial já foi utilizada em ações de segurança em Goiás. Em abril deste ano, o rastreamento em tempo real do veículo do autor de um feminicídio no Jardim Petrópolis, em Aparecida de Goiânia, contribuiu para a localização do suspeito.
Após assassinar a companheira, o homem de 26 anos foi interceptado em menos de 24 horas, em uma ação conjunta de equipes da Polícia Militar.
Na fase investigativa, a integração de dados também pode acelerar a identificação de autores. A titular da Delegacia Estadual de Atendimento à Mulher (Deaem), Ana Elisa Gomes Martins, explica como o cruzamento de informações pode auxiliar as investigações.
“O objetivo não é apenas reprimir, mas prever ocorrências que poderiam ser mais graves. Quando o sistema cruza dados de crimes praticados com o mesmo modus operandi, ele nos devolve informações relevantes que aceleram a identificação de autores, inclusive em crimes sexuais onde a autoria é desconhecida. A solução está nessa união de forças com o auxílio da tecnologia”, destaca a delegada.
Tecnologia no atendimento às vítimas
No atendimento, a expectativa é que a tecnologia também amplie os recursos disponíveis para prevenção. Integrante do 4º Batalhão Maria da Penha de Águas Lindas de Goiás, a cabo Lilianne Horovits destaca o papel dessas ferramentas.
“O desenvolvimento tecnológico é um grande parceiro. Ter essa inovação nos auxiliando a prestar um serviço de segurança e prevenção essencial, pois precisamos de todos os recursos possíveis ao nosso lado”, pontua.
Com as demandas mapeadas, o próximo passo será realizar visitas às unidades policiais para transformar as necessidades identificadas em ferramentas de uso diário.
O superintendente de Ações e Operações Integradas da SSP-GO, coronel Geyson Alves Borba, afirma que a intenção é incorporar as soluções à rotina das forças policiais.
“A tecnologia já é uma realidade e deve ser empregada de forma estratégica. Nosso foco é garantir que os alinhamentos de hoje se tornem uma prática efetiva e integrada em todas as nossas forças policiais”, diz.
O gerente de Análises Criminais da Polícia Civil de Goiás, Gustavo Araújo, também destaca a perspectiva de ampliar a atuação preventiva.
“Com a inteligência artificial do nosso lado, o aparato de segurança de Goiás se prepara para agir preventivamente no combate ao crime contra a mulher”, ressalta.