Cuidados paliativos podem começar antes da fase terminal de doenças graves

mãe de enfermeira segurando mãe de paciente idoso
No Ceap-Sol, atendimento considera as necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais de cada paciente (Foto: Ceap-Sol)

Os cuidados paliativos não são exclusivos de pacientes em fase terminal. Eles podem ser iniciados desde o diagnóstico de doenças graves e ameaçadoras à vida, inclusive durante tratamentos voltados à cura. O objetivo é aliviar sintomas, reduzir o sofrimento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares.

No Centro Estadual de Atenção Prolongada e Casa de Apoio Condomínio Solidariedade (CEAP-SOL), unidade do Governo de Goiás gerida pelo Instituto Sócrates Guanaes (ISG), o atendimento considera as necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais de cada paciente.

De acordo com a médica paliativista do CEAP-SOL, Raquel Coutinho Neves, a indicação não depende de o paciente estar nos últimos estágios da doença.

“Ele é indicado para toda pessoa que possui uma doença grave e ameaçadora à vida, independentemente do estágio dessa doença”, explica.

A especialista destaca que a abordagem não substitui os tratamentos destinados ao controle ou à cura da doença. As duas formas de assistência podem ser oferecidas simultaneamente.

“O cuidado paliativo não exclui a proposta de tratamento. Eles podem e devem caminhar juntos”, destaca.

Como funcionam os cuidados paliativos?

O atendimento reúne profissionais de diferentes áreas, como medicina, enfermagem, fisioterapia, psicologia, nutrição, serviço social e terapia ocupacional. A equipe avalia as necessidades de cada paciente e define as condutas mais adequadas para aliviar sintomas e proporcionar conforto.

“O cuidado paliativo nunca é realizado somente por um profissional. É preciso haver esse elo do conhecimento, essa junção do que cada área pode proporcionar de melhor para a saúde do nosso paciente”, afirma Raquel.

A assistência também inclui orientação e acolhimento aos familiares, que enfrentam dúvidas e dificuldades ao longo do tratamento.

“O cuidado paliativo envolve tanto o paciente quanto a família. A família precisa ser orientada, acolhida e escutada nas suas dúvidas e nas suas dores”, ressalta a médica.

Quais pacientes podem receber cuidados paliativos?

Os cuidados paliativos podem ser indicados para pessoas com diferentes condições graves de saúde, incluindo doenças oncológicas, neurológicas, cardíacas, renais e infectocontagiosas.

A assistência é adaptada conforme a evolução do quadro clínico. A equipe considera os benefícios de cada tratamento, os possíveis efeitos adversos e as condições de conforto do paciente.

“Nosso tratamento não pode fazer o paciente sofrer mais do que aquilo que a doença já está proporcionando”, explica Raquel.

Mesmo quando a cura não é possível, o acompanhamento busca preservar a qualidade de vida e reduzir o sofrimento provocado pela doença.

“Sempre há algo para fazer perante a doença. Às vezes, apesar de não conseguirmos a cura, conseguimos aliviar o sofrimento. E esse é o nosso objetivo como equipe”, conclui a médica.

Atendimento no CEAP-SOL

O Centro Estadual de Atenção Prolongada e Casa de Apoio Condomínio Solidariedade (CEAP-SOL) foi fundado em 1995, inicialmente para acolher pessoas vivendo com HIV/Aids. Posteriormente, ampliou sua atuação para outras doenças infectocontagiosas.

A unidade oferece hospedagem temporária, internação hospitalar de longa permanência e atendimento ambulatorial especializado. Conta com equipe multiprofissional para acompanhamento contínuo das necessidades clínicas e funcionais dos pacientes.

O CEAP-SOL possui certificação de Acreditação Hospitalar ONA 3, nível máximo de reconhecimento da Organização Nacional de Acreditação, e está sob gestão do Instituto Sócrates Guanaes desde 2013.

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