A Polícia Civil de Goiás, por meio da 4ª Delegacia Distrital de Goiânia – 1ª DRP, cumpriu mandado de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão, nesta quinta-feira (28), em desfavor de uma empresária investigada pela prática de procedimentos estéticos e cirúrgicos, supostamente realizados de forma irregular, causando graves danos físicos e psicológicos em diversas vítimas.
A investigação teve início após o registro de múltiplas ocorrências envolvendo pacientes que relataram complicações severas decorrentes de procedimentos realizados em clínica estética, localizada no Setor Bueno, em Goiânia.
Conforme apurado, as vítimas apresentaram infecções, deformidades, fibroses, necroses, cicatrizes permanentes e outras sequelas graves após cirurgias realizadas em ambiente inadequado e sem a estrutura necessária para procedimentos de alta complexidade.
Clínica de estética
Durante as investigações, a PCGO reuniu depoimentos de pacientes que relataram a realização de procedimentos prolongados, alguns com duração superior a 12 horas, em sala odontológica comum, além da ausência de condições sanitárias adequadas, falhas na esterilização de materiais e insuficiência de acompanhamento anestésico.
As diligências apontaram indícios de exercício ilegal da medicina, funcionamento irregular do estabelecimento e possível utilização de técnicas vedadas pelas normas de fiscalização profissional. Em cumprimento às ordens judiciais, foram realizadas buscas na clínica e em endereços residenciais vinculados à investigada, com o objetivo de apreender documentos, aparelhos eletrônicos, contratos, prontuários, equipamentos e outros materiais de interesse das investigações.
A medida cautelar de prisão preventiva foi representada pela autoridade policial diante da gravidade concreta dos fatos, da necessidade de preservação das provas e da interrupção das atividades investigadas, visando resguardar a ordem pública e evitar novas vítimas. Cientificada do teor do decreto judicial, a empresária foi conduzida à sede do 4º DP, para formalização dos procedimentos de praxe.
Durante a inspeção sanitária, alguns objetos da clínica, utilizados nos procedimentos estéticos, foram subtraídos por uma das sócias. Diante da alteração artificiosa do local dos fatos, a referida sócia também foi conduzida à presença da Autoridade Policial para a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, pela prática, em tese, do crime de fraude processual.