Goiás mantém liderança nacional na produção de sorgo

Goiás mantém liderança nacional na produção de sorgo
Goiás alcançou 2,2 milhões de toneladas de sorgo: crescimento de 40,3% em relação à safra anterior (Foto: Lucas Eugênio)

Goiás consolida mais um ano de liderança na produção de sorgo no país. De acordo com os dados do 8º levantamento de grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa de produção alcançou 2,2 milhões de toneladas, o que representa crescimento de 40,3% em relação à safra anterior.

O resultado representa 29,3% da produção nacional do grão na safra 2025/26, estimada em 7,5 milhões de toneladas, mantendo o estado pelo oitavo ano consecutivo como o maior produtor do país.

Área de sorgo

Os dados também apontam que a área semeada com sorgo, para o mesmo período, deu um salto de 59,9%, atingindo 631,1 mil hectares frente aos 394,7 mil do ciclo anterior, com produtividade média estimada em 3,5 toneladas por hectare.

A forte expansão é motivada pela resistência do grão ao déficit hídrico e por sua adaptação à segunda safra, conhecida como safrinha. Devido ao seu alto valor nutricional, o cereal consolida-se com sua utilização direcionada principalmente para abastecer a indústria de nutrição animal.

“Goiás tem ampliado sua participação na produção nacional de sorgo de forma consistente, resultado da capacidade dos produtores de incorporar culturas que agregam competitividade ao sistema produtivo. Além de contribuir para a diversificação da segunda safra, o sorgo tem papel importante no abastecimento das cadeias de proteína animal e abre novas oportunidades para a agroindústria e a bioenergia no estado”, afirma o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ademar Leal.

O levantamento da safra 2025/26 confirma que Goiás permanece como o protagonista do sorgo no Brasil ao superar importantes polos agrícolas do país e liderar de forma isolada o ranking de produção, enquanto dita o ritmo de crescimento da cultura no cenário nacional. Essa eficiência goiana no campo foi determinante para que o estado alcançasse a marca de 30,7% dos 2 milhões de hectares destinados ao cultivo do grão em todo o país.

Cidades líderes

Essa força produtiva espalha-se pelo território goiano e já marca presença em 128 municípios, concentrando-se principalmente na região Sul e no entorno do Distrito Federal. Destacam-se as cidades de Cristalina e Rio Verde como as de maior protagonismo.

Os dois municípios são os maiores produtores de sorgo de todo o Brasil, respondendo juntos por 28,3% de toda a produção colhida no estado em 2024.

De acordo com dados da safra anterior reunidos na Plataforma Aroeira, o ritmo de expansão da cultura também é evidenciado pelo desempenho de novos polos, como Montividiu, que multiplicou a colheita quase 14 vezes em um ano (saltando de 3,6 mil para 49,5 mil toneladas), além do surgimento de novas lavouras em regiões como, São Domingos e São Miguel do Araguaia, entre outras. No quesito rendimento, Itapaci lidera a eficiência com a maior média do estado (4,0 t/ha), seguido por Rio Verde e Flores de Goiás (3,8 t/ha).

“Goiás reforça a presença estratégica para o agronegócio ao responder por uma parcela significativa da produção nacional. Os números e os avanços técnicos confirmam que a história de sucesso do sorgo no Brasil passa, obrigatoriamente, pelas lavouras goianas ao utilizar a safrinha como forma de impulsionar a produção da cultura”, conclui o secretário Ademar Leal.

Oportunidades

O segmento de bioenergia abre uma nova e promissora janela de projeção para o mercado goiano, na qual o sorgo ganha destaque crescente como matéria-prima para a produção de etanol. Goiás já é consolidado como o líder nacional na produção do tipo granífero e a expansão para o sorgo sacarino surge como uma oportunidade estratégica para o estado.

Em virtude da alta concentração de açúcares e ciclo produtivo curto, a variedade torna-se ideal para abastecer as destilarias locais durante o período de entressafra da cana-de-açúcar. A integração é facilitada pela vantagem logística e operacional de aproveitar os mesmos equipamentos já utilizados nos canaviais para a mecanização da colheita goiana.

Essa sinergia industrial projeta um cenário de agregação de valor para o agronegócio de Goiás. A expansão do etanol a partir do cereal amplia a oferta de coprodutos de alto valor, como os grãos secos de destilaria, os Distillers Dried Grains (DDGs), que possuem elevado teor proteico e energético para a nutrição animal.

Ao conectar de forma inteligente as cadeias de biocombustíveis e de proteínas animais, o mercado goiano caminha para consolidar um sistema produtivo ainda mais sustentável, eficiente e economicamente diversificado, abrindo novas frentes de investimento para os produtores do estado.

Saiba mais

O informativo mensal Agro em Dados, publicação que integra informações dos maiores centros de pesquisa e bases de dados do agronegócio brasileiro, em sua 80ª edição tem a cana-de-açúcar como destaque.

A publicação está disponível para consulta em: https://goias.gov.br/agricultura/boletins-de-safra/.