Um projeto inovador desenvolvido por uma empresa genuinamente goiana está mostrando que o que antes era considerado lixo pode se tornar parte da solução para desafios ambientais, econômicos e sociais. Selecionada pelo edital 12/2024 do Programa Tecnova III, a iniciativa propõe transformar rejeitos sem valor econômico em combustível alternativo para a indústria cimenteira.
Com o projeto, é possível colaborar para reduzir emissões de gases de efeito estufa, custos urbanos e a pressão sobre aterros sanitários, se apresentando como uma resposta concreta a um dos maiores desafios urbanos: o destino final dos rejeitos.
A proposta conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) que investiram quase R$ 500 mil no projeto. O projeto é coordenado pelo engenheiro ambiental e mestre em energias renováveis Nelson Siqueira Neto, proprietário da RNV Serviços Sustentáveis Ltda.
O objetivo é desenvolver e validar o novo Combustível Derivado de Resíduos (CDR), alternativa ao coque de petróleo e ao carvão mineral utilizados atualmente nos fornos das indústrias de cimento, dois dos combustíveis mais intensivos em carbono.
Combustível alternativo
O novo combustível dará um destino aos rejeitos das cooperativas de catadores de resíduos recicláveis e da usina de reciclagem de resíduos de construção civil, materiais que normalmente seguem para aterros sanitários por não possuírem valor comercial.
Além desses resíduos, o CDR também utilizará rejeitos da indústria farmacêutica e biomassa de cavacos de madeira oriundos da reciclagem de resíduos da construção civil, atendendo às exigências técnicas da indústria cimenteira.
O público-alvo do novo combustível são as grandes indústrias cimenteira por contarem com grandes fornos rotativos de clínquer, como os da Intercement (Cezarina-GO) e Votorantim (Edealina-GO e Sobradinho-DF).
Neto explica que seu projeto, intitulado “Destinação final com aproveitamento energético de rejeitos advindos de processos de reciclagem com a inserção de resíduos industriais”, surgiu da necessidade de solucionar o alto volume de rejeitos das cooperativas de reciclagem e de usinas de entulhos que iam parar no aterro.
“A solução foi unir esses materiais com resíduos industriais e usar a biomassa de madeira para diluir os contaminantes, criando uma “receita” termoquímica perfeita”. O CDR será uma composição de rejeitos secos de cooperativas, como plásticos e papelão, resíduos da reciclagem dos resíduos de construção civil (RCC), resíduos de outros processos de reciclagem e resíduos industriais.
O diferencial do projeto está na blendagem (engenharia de formulação – processo técnico que busca o equilíbrio ideal entre diferentes tipos de resíduos e biomassa para garantir eficiência energética e segurança na queima. “Esse cuidado é essencial, principalmente na incorporação de resíduos industriais, como os do setor farmacêutico, que exigem controle rigoroso de elementos como o cloro”, afirma o empreendedor.
A meta inicial do projeto é processar 25% do volume das cooperativas (cerca de 300 toneladas/mês) e alcançar uma produção total contínua de 1.250 toneladas de CDR mensais.
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