Ciência e meio ambiente: diálogos que ajudam a construir soluções para o futuro

Ciência e meio ambiente: diálogos que ajudam a construir soluções para o futuro

A crise climática, a preservação da água, a produção de alimentos e a proteção da biodiversidade costumam ser tratados como temas separados. Na prática, porém, fazem parte de um mesmo desafio. Entender essas conexões e transformá-las em ações concretas foi um dos eixos das discussões promovidas pelo Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2026), realizado na cidade de Goiás.

Com o tema Água e Clima no Brasil das Nascentes, o festival reuniu pesquisadores, artistas, lideranças sociais e moradores em debates que aproximaram conhecimento científico, cultura e experiências do cotidiano. Um dos encontros mais representativos dessa proposta foi a roda de conversa entre a apresentadora, chef de cozinha e ativista socioambiental Bela Gil e a física e pesquisadora Márcia Cristina Bernardes Barbosa.

Promovida pelo projeto Redes do Cerrado, a atividade mostrou como diferentes áreas do conhecimento podem contribuir para a compreensão dos desafios ambientais que impactam diretamente a vida das pessoas.

Por que ciência e meio ambiente precisam caminhar juntos?

Questões como segurança alimentar, disponibilidade de água e mudanças climáticas exigem soluções que ultrapassem fronteiras entre disciplinas. Durante o encontro, a experiência de Bela Gil na defesa da alimentação saudável e dos sistemas alimentares sustentáveis dialogou com as pesquisas desenvolvidas por Márcia Barbosa sobre água e clima.

A conversa destacou a importância de aproximar ciência, cultura e participação social para ampliar a compreensão dos desafios ambientais e estimular transformações capazes de alcançar o cotidiano das comunidades.

Em sua primeira visita à cidade de Goiás e ao festival, Bela Gil ressaltou o valor de iniciativas que integram diferentes dimensões da vida humana.

“Estou muito feliz. Foi a minha primeira vez aqui na cidade de Goiás e também no Fica. Tive a oportunidade de conversar com a física maravilhosa Márcia Barbosa, em uma roda super informal e com uma turma linda. Espero que edições como essa possam se multiplicar, porque a gente precisa de comida, cultura, saúde, tudo junto e misturado”, afirmou.

A apresentadora também destacou a relação proporcionada pelo território com a natureza.

“Estou aqui ouvindo o barulhinho do rio, e são oportunidades que a gente não tem muito em São Paulo, por exemplo. Estar em lugares que nos aproximam da natureza, pisar no chão, na terra, é sempre muito gostoso. Esse festival já tomou conta do meu coração. Vou embora com vontade de voltar, e um pedacinho dele ficou aqui”, disse.

Quando o debate sai da academia e chega à vida das pessoas

Para a pesquisadora Márcia Barbosa, iniciativas que promovem encontros entre diferentes públicos ajudam a ampliar o alcance das discussões ambientais e a conectar o conhecimento científico às experiências vividas pela população.

“O Fica combina um projeto interessante e estimulante, que traz arte, vídeo e cinema, mas também importantes preocupações sociais e ambientais, em uma localização que abraça esse propósito. A cidade se transforma em Fica. O movimento das pessoas, as ladeiras, tudo passa a fazer parte dessa experiência”, afirmou.

Segundo ela, o valor desses espaços está na capacidade de transformar reflexão em prática.

“Isso é muito importante porque significa que teremos debates e discussões que vão se consolidar no fazer e no viver. Não é apenas um debate acadêmico, embora eu seja uma acadêmica. É um debate sobre a vida, e espero que isso se transforme em vida”, completou.

Redes que fortalecem a preservação do Cerrado

A atividade integrou o projeto Redes do Cerrado, espaço permanente de diálogo do Fica dedicado à troca de saberes e à valorização dos territórios e das populações que contribuem para a preservação do bioma.

A proposta busca reunir diferentes perspectivas para ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados pelo Cerrado, considerado um dos biomas mais importantes do país para a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos.

Nesse contexto, o festival se consolida como um espaço de encontro entre conhecimento científico, manifestações culturais e experiências comunitárias, ampliando as possibilidades de debate sobre sustentabilidade.

Cooperação internacional amplia alcance das discussões

A participação de Bela Gil ocorreu por meio de parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), que passou a integrar o conjunto de parceiros do Fica 2026.

Para a gerente de Cultura e Direitos Humanos do Escritório da OEI Brasil, Jane Diehl, a cooperação internacional contribui para ampliar o alcance das discussões promovidas pelo festival.

“A parceria da OEI no Fica 2026 é estratégica porque amplia o evento para um polo de cooperação em todo o espaço ibero-americano. Para nós, o debate sobre sustentabilidade não é apenas técnico ou ambiental, mas essencialmente cultural. Essa parceria amplia nossa atuação ao usar a educação e o audiovisual como pontes para engajar a sociedade”, destacou.

Segundo ela, iniciativas voltadas ao combate à desinformação climática e à valorização dos saberes tradicionais ajudam a aproximar a ciência do cotidiano.

“Com ações interativas que ajudam a combater a desinformação climática e o apoio a produções que dão voz às comunidades tradicionais, conseguimos traduzir a ciência para o cotidiano e demonstrar que a cultura é uma ferramenta indispensável para a conscientização e a proteção da nossa biodiversidade”, afirmou.

Jane Diehl também destacou o potencial das experiências desenvolvidas durante o festival para fortalecer redes de cooperação e ampliar a circulação de iniciativas voltadas à educação ambiental e à sustentabilidade em diferentes países.

“Vislumbramos fortalecer as redes de cooperação para que o audiovisual de impacto circule com mais força pela Ibero-América. O objetivo é garantir que as soluções pensadas na interseção entre cultura, ciência e sustentabilidade não fiquem restritas ao evento, mas sirvam de base para inspirar e orientar políticas públicas integradas em toda a região”, concluiu.

Realizado entre os dias 16 e 21 de junho, na cidade de Goiás, o Fica 2026 reforçou a importância de aproximar ciência, cultura e sociedade para ampliar a conscientização ambiental e estimular reflexões sobre os caminhos necessários para enfrentar os desafios climáticos e proteger os recursos naturais das futuras gerações.

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